Críticas de telenovelas

Posted on 07/12/2011 por


Gustavo Erick recomenda o blog Proximos Capítulos para os interessados em examinar as críticas produzidas sobre telenovelas e outras obras de teledramaturgia. Para conhecermos o blog segue a crítica do último capítulo de “Caminho das Indias” , a mais recente telenovela de Perez no horario das 21 horas, na Rede Globo. Segue o texto intitulado “O fantástico Mundo de Glória Perez”.

 

O Fantástico Mundo de Glória Perez

Marmota | 12.09.09 01:15 |

Glória Perez nos enfeitiçou por oito meses e, em pouco mais de uma hora, decidiu resolver tudo no último capítulo de Caminho das Índias. Ficou estranho, corrido. Segredos sem serem contados. Bahuan não disse uma palavra; Yvonne fugiu pela porta da frente do presídio; o Zeca não foi preso; a maldita da Surya se deu bem; e Raj ficou sem saber que tem um filho no Brasil. Are baba!

De qualquer forma, ainda que você não tenha se emocionado mais após o abraço de Opash em Shankar, acompanhar novelas pode ser divertido se estiver ao lado da pessoa certa. Como a Srta. Bianca: quem teve a chance de seguir seu Twitter durante o folhetim teve a chance de gargalhar quando, por exemplo, a Swat prendeu Mike em português: “o melhor é que tem polícia brasileira no exterior! É a Policia!”

Assim, ninguém melhor que a própria Srta. Bia para compartilhar conosco (obrigado!) suas impressões sobre essa estranha relação entre o Rio de Janeiro e o Rajastão, proporcionada pela autora acreana, discípula de Janete Clair e autora de outros grandes sucessos não menos discutíveis. Baguan queliê!

Caminho das Índias é uma novela que assisti do início ao fim. Sofri, chorei, dei risada, incorporei os bordões. E tenho certeza que tudo isso aconteceu porque também adorei O Clone. Adoro tudo que as pessoas detestam nas novelas de Glória Perez: a cafonice, os bordões, o surrealismo, a falta de preocupação com verossimilhança, fuso horário, distâncias continentais e situações absurdas. E nessa categoria O Clone e Caminho das Índias são obras gêmeas.

A primeira novela de Glória que acompanhei foi Barriga de Aluguel, não lembro se no “Vale a Pena ver de Novo”. Lembro especialmente da abertura, da Cláudia Abreu, da Cássia Kiss e da música “Feira de Acari”. Depois veio De Corpo e Alma, marcada muito mais pelo assassinato de Daniela Perez do que pela trama.

Em Explode Coração, Dara e o Cigano Igor já mostravam o que estava por vir, o multiculturalismo invadindo os pensamentos de Glória na história de uma cigana que se apaixona por um empresário por meio de uma sala de bate papo do UOL. Ela queria misturar culturas e fazer novelas amalucadas, cheias de núcleos e amores impossíveis.

Em 2001 veio O Clone. Giovanna Antonelli e Murilo Benício eram um casal bem sem graça, mas havia um enredo sobre clonagem por trás e uma série de personagens que soltavam bordões aos quatro ventos. Dona Jura com “Não é brinquedo não”. Os árabes que bradavam que todos iam “arder no mármore do inferno”. Depois veio América, novela que não vi quase nenhum capítulo por não gostar do tema rodeio e por descobrir que o boi Bandido atuava melhor que Murilo Benício e Deborah Secco juntos…

Acredito que, em Caminho das Índias, ela conseguiu todos os elementos que faltavam. Apesar de Márcio Garcia ser muito ruim, ele virou coadjuvante assim que Rodrigo Lombardi apareceu como Raj. Juliana Paes sofreu muito como toda mocinha de novela que se preze, mas apesar disso não me incomodei tanto ao ponto de achá-la chata – talvez pelo drama da mãe que quer proteger seu filho. Fiquei sensibilizada. Yvone e Surya foram vilãs convincentes, mas poucas vezes roubaram as cenas (a não ser quando contracenavam com Vera Fischer ou Maitê Proença). Tony Ramos, o novo rei da comédia brasileira, foi ótimo como Opash, assim como a maioria dos atores do núcleo indiano, especialmente os consagrados: Osmar Prado, Nívea Maria, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Lima Duarte, Jandira Martini, Flávio Miglaccio. Estavam sempre divertidos, mas também deram show nas cenas tensas e emocionantes.

Glória Perez também não esqueceu das causas sociais e tratou de colocar o esquizofrênico Tarso e todo o núcleo da clínica do Dr. Castanho para falar sobre doenças mentais e os possíveis tratamentos. Fez vários alertas sobre prevenção de cancêr e como cuidar da saúde de bebês, por meio do personagem médico Lucas.

Porém, a grande novidade de Caminho das Índias foram os núcleos praticamente separados. Toda uma trama envolvendo os irmãos Cadore e a vilã Yvone. E houve o romance proibido de Maya e Bahuan na Índia formando o centro do núcleo indiano. Vimos personagens que transitaram por mais de um núcleo, mas por mais que Maya tenha trabalhado para Raul Cadore e Raj tenha perdido tempo em alguns capítulos tentando solucionar o caso do sumiço de Humberto Cunha, são tramas bem independentes. Em alguns momentos elas sofreram desgaste, pois uma parecia mais interessante que a outra. Christiane Torloni fez sua Melissa Cadore crescer e aparecer, assim como a Ex-BBB Juliana Alves e sua Suelen. Em compensação o núcleo escolar foi minguando e só não foi apaguado totalmente por causa dos amigos Dayse e Radesh.

Foi uma novela ágil, com várias subtramos predendo a atenção do espectador, especialmente nesses últimos meses, como vários segredos se revelando. No fim, o esperado é que os casais se reconciliem, os bebês tenham vida londa e próspera e as vilãs paguem seus pecados. No fim é isso que o povo quer, Dona Norminha sendo perdoada, Raj e Maya ficando juntos e o rádio tocando sem parar: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”.

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Posted in: Crítica, telenovelas